Esse era um dos livros que eu queria ler, mas que
ainda não haviam lançado no Brasil e não havia uma boa tradução na internet. O
livro original “Forbidden” foi lançado em 2010 no Reino unido e rendeu vários
prêmios para a autora Tabitha Suzuma. É um YA (jovem-adulto como chamam por
aqui), mas não é como os outros livros do gênero que estamos acostumados, embora
seja um romance e um drama, o que difere dos outros do tipo é que os
protagonistas são irmãos. Não irmãos adotivos ou que foram criados separados e
se apaixonam sem saber que são do mesmo sangue. Lochan e Maya são irmãos
consanguíneos e foram criados juntos.
Lochan tem dezessete anos e é o mais velho de cinco
irmãos: Maya de 16, Kit de 13, Tiffin de 8 e Willa de 5. Eles foram abandonados
pelo pai há 5 anos e como a mãe se tornou alcóolatra e uma “turista” em casa (já
que passa o tempo todo com o namorado), desde cedo Lochan e Maya assumiram a
responsabilidade da casa e de criar os irmãos mis novos.
Lochan tem problemas em socializar com pessoas que
não são da família e pensamentos depressivos, mas é inteligente e tira ótimas
notas. Maya é o seu porto seguro, é ela quem o acalma em suas crises e o impede
de perder o controle de si mesmo: “O corpo humano precisa de um fluxo constante de
alimentos, ar e amor para sobreviver. Sem Maya eu perco os três. Morro
lentamente."
Maya é extrovertida, mas não
se abre totalmente com as pessoas. Lochan é o único que a conhece totalmente e
é seu melhor amigo.
É difícil deixar os
preconceitos de lado e não julgá-los, mas a autora nos faz questionar o tempo
todo o que é certo e o que é errado. Maya e Lochan têm consciência o tempo todo
de que estão cometendo um crime aos olhos da sociedade e isso torna tudo ainda
mais doloroso para os dois. Mas eles não conseguem não sentir ou achar que é
errado o que sentem: “No fim do dia, é tudo sobre o quanto você aguenta, o
quanto você pode suportar. Se juntos vamos prejudicar alguém, separados vamos
matar nós mesmos."
Na luta diária para criar
os irmãos e impedir que sejam separados pelo conselho tutelar e na luta para
entender e conviver com seus sentimentos, Maya e Lochan caminham para um fim
triste, mas inevitável. Confesso que quando conheci o temperamento de Lochan,
já entendi como o relacionamento deles estava fadado a terminar.
Não digo que sou a favor do
incesto, mas consigo entender um pouco do que aconteceu com os dois. Minha
religião, que é baseada na reencarnação, também me permite compreender que uma
situação dessas não é impossível de acontecer. Essa foi a intenção da Tabitha,
fazer as pessoas questionarem seus conceitos e não julgar os fatos sem antes
conhecer a situação.
"Mas então por que é
tão terrível para mim estar com a garota que eu amo? Todos os outros têm
permissão para ficar com quem quiserem, expressar seu amor se quiserem, sem
medo de assédio, ostracismo, perseguição ou até mesmo da lei. Mesmo
emocionalmente abusivas, as relações adúlteras são muitas vezes toleradas,
apesar do dano que causam aos outros. Em nossa sociedade, progressiva e
permissiva, todos esses tipos nocivos e insalubres de 'amor' são permitidos -
mas não o nosso. Não consigo pensar em nenhum outro tipo de amor que seja tão
completamente rejeitado, mesmo que o nosso seja tão profundo, apaixonado, carinhoso
e forte que nos obrigar a nos separar nos causaria uma dor inimaginável. Nós
estamos sendo punidos pelo mundo por apenas uma razão simples: por termos sido
produzidos pela mesma mulher."
Abaixo, um vídeo da autora
falando sobre o livro: