terça-feira, 9 de setembro de 2014

Puros – horrores que não podem ser esquecidos


Puros tinha tudo para ser mais uma distopia como as outras, não fosse a criatividade e audácia da sua autora.
Julianna Baggot usou como cenário para a sua história um mundo destruído pelos efeitos de uma explosão nuclear. Como resultado, além dos recursos necessários para a sobrevivência humana terem sido quase extinguidos, os seres humanos acabaram mortos ou quase isso, fundidos com coisas ou outros seres.
Os únicos que escaparam intactos são aqueles que estavam no Domo (uma espécie de abrigo) na hora da catástrofe. Essas pessoas são chamadas de Puros e aqueles que vivem fora dele são os miseráveis.
A história é contada em terceira pessoa e sob vários pontos de vista. Mas os personagens principais são Préssia e Patridge.
Préssia vive fora do Domo, tem a cabeça de uma boneca fundida em uma das mãos e cicatrizes de queimadura no rosto. Vive com seu avô nos fundos de um prédio que era uma barbearia.  Ela teme o dia que fará 16 anos que é a idade em que a OBR, uma espécie de grupo revolucionário, busca os adolescentes para aprender a lutar ou se forem incapazes, são mortos.
Nesse meio tempo, ela acaba conhecendo Bradwell que é fundido com pássaros nas costas e se torna o melhor amigo de Préssia.
Patridge vive no Domo e é filho de um dos seus governantes e o homem responsável pela confecção das bombas que destruíram a Terra. Ele não consegue se encaixar na sociedade do Domo e após descobrir que sua mãe pode estar viva, foge para procurá-la.
É quando ele conhece Préssia que juntamente com Bradwell, o ajuda a procurar a mãe.
Durante a leitura, começamos a questionar quem de fato são os Puros que dão título ao livro, pois muitos personagens da história podem ser puros por não ter nenhuma fusão no corpo, mas suas mentes são cruéis.
A escritora não poupa detalhes e narra minuciosamente todas as anomalias físicas dos personagens de forma nua e crua, o que torna a história ainda mais interessante.
Mas serve para refletirmos sobre os efeitos das armas nucleares e para não esquecermos os horrores causados pelas bombas em Hiroshima e Nagasaki.
 
 
 
 

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