Puros tinha tudo para ser
mais uma distopia como as outras, não fosse a criatividade e audácia da sua
autora.
Julianna Baggot usou como
cenário para a sua história um mundo destruído pelos efeitos de uma explosão
nuclear. Como resultado, além dos recursos necessários para a sobrevivência
humana terem sido quase extinguidos, os seres humanos acabaram mortos ou quase
isso, fundidos com coisas ou outros seres.
Os únicos que escaparam
intactos são aqueles que estavam no Domo (uma espécie de abrigo) na hora da catástrofe.
Essas pessoas são chamadas de Puros e aqueles que vivem fora dele são os
miseráveis.
A história é contada em
terceira pessoa e sob vários pontos de vista. Mas os personagens principais são
Préssia e Patridge.
Préssia vive fora do Domo,
tem a cabeça de uma boneca fundida em uma das mãos e cicatrizes de queimadura
no rosto. Vive com seu avô nos fundos de um prédio que era uma barbearia. Ela teme o dia que fará 16 anos que é a idade
em que a OBR, uma espécie de grupo revolucionário, busca os adolescentes para
aprender a lutar ou se forem incapazes, são mortos.
Nesse meio tempo, ela acaba
conhecendo Bradwell que é fundido com pássaros nas costas e se torna o melhor
amigo de Préssia.
Patridge vive no Domo e é
filho de um dos seus governantes e o homem responsável pela confecção das
bombas que destruíram a Terra. Ele não consegue se encaixar na sociedade do
Domo e após descobrir que sua mãe pode estar viva, foge para procurá-la.
É quando ele conhece
Préssia que juntamente com Bradwell, o ajuda a procurar a mãe.
Durante a leitura,
começamos a questionar quem de fato são os Puros que dão título ao livro, pois
muitos personagens da história podem ser puros por não ter nenhuma fusão no
corpo, mas suas mentes são cruéis.
A escritora não poupa
detalhes e narra minuciosamente todas as anomalias físicas dos personagens de
forma nua e crua, o que torna a história ainda mais interessante.
Mas serve para refletirmos
sobre os efeitos das armas nucleares e para não esquecermos os horrores
causados pelas bombas em Hiroshima e Nagasaki.

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